Em directo da redacção - Vitorino Silva: "não vale tudo em política"

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O candidato presidencial e líder do partido Reagir Incluir Reciclar (RIR) garante tudo fazer para que "os portugueses votem em segurança". Vitorino Silva recorda que defendeu o adiamento das eleições em Setembro e que na política, "não vale tudo". RFI: Há condições para manter a campanha e para garantir que os portugueses votem em segurança no próximo dia 24 de Janeiro? Vitorino Silva: Toda a gente sabe que, a 8 de Setembro, me preocupei com os idosos. Era previsível antecipar a situação que estamos a viver. Eu não queria ter razão, mas infelizmente tive razão. Ninguém me ouviu, nem o senhor Presidente da República numa reunião que tive com ele. Nesta altura, ainda não sei se vai haver confinamento a partir de quinta-feira. Não tenho dados sobre isso, mas também se entrarmos em confinamento e abrirmos as portas no dia 24, acho que "é pior a emenda que o soneto". Não há condições para que os portugueses votem em segurança? Não há condições. Nem o povo vai compreender, por que motivo mandam as pessoas para casa dez dias e depois abrir para votar, já podem sair. Os políticos têm que cair na realidade e não podem estar acima do povo. Eu concordava se fechassem depois das eleições, mas fechar agora e abrir para votar.. acho que estão muito distraídos. Vitorino Silva, afirmou que caso mais de 50% dos eleitores não votem nestas eleições presidenciais, o Presidente eleito ou a Presidente eleita não deve tomar posse. Porquê? Se ganhasse sem ter mais de 50% dos votos dos portugueses, tal como acontece com os referendos que são invalidados, não tomava posse. Acho que o Presidente da República não deve tomar posse com menos de 50% dos votantes, acho que é uma vergonha. Vou fazer tudo por tudo para que os portugueses votem em segurança porque o voto é património e temos que defender a democracia através do voto e da força do voto. Há um elevado risco de abstenção neste escrutínio? Claro que há um risco, os idosos tiveram presos este tempo todo e nunca saíram de casa e agora vão sair dia 24? Não sei porquê, os idosos são o nosso maior património e temos que os defender. Deveríamos ter adiado as eleições porque não vale tudo em política. Os políticos tiveram muito tempo para rever a Constituição e não o fizeram, não foi por falta de avisos. Caso seja eleito Presidente da República, qual vai ser a sua prioridade? A minha prioridade é não haver degraus. Estive numa reunião no Infarmed, vi muitas pessoas a falarem com o chefe de Estado e cada um perdeu um minuto a falar com excelentíssimos. Se eu for Presidente da República não vai haver excelentíssimos. Em Portugal não há excelentíssimos, há pessoas normais e eu quero ser um Presidente normal, igual ao povo que vota. Não aceito que um Presidente da República seja mais do que qualquer outro português só porque é Presidente da República. Quanto às relações externas, qual é o papel que o ou a Presidente da República pode ter no reforço das relações com os países afro-lusófonos? Eu costumo dizer que o prato preferido é língua de bacalhau, mas a língua que eu mais gosto é o português, que é o maior património que nós temos. Se for Presidente da República vou defender a nossa língua e em qualquer parte do mundo falarei em português. Além desse bem comum partilhado entre países afro-lusófonos e Portugal, o que é que pode mudar na relação entre estes países? Eu defendo o mundo sem muros. Acreditem que a terra é a mesma. Há um planeta que se chama Terra e esta é a casa de todos. Fico triste quando há gente que vê pessoas a tentar chegar a terra firme e todos acenam com mãos e não agarram quem precisa de uma mão para ser puxado para essa terra firme. Esta é a minha mensagem, procuro um mundo com mistura e onde sejamos um só povo. Acha que os portugueses o vêem como um possível Presidente do povo? Do povo e da Póvoa porque quero ser Presidente da nossa gente e das nossas terras, do nosso chão. Uma Nação se não tiver um poiso não é uma Nação à maneira. O que é que nos pode dizer da reunião que teve no Infarmed? Era muita gente com muitos pontos de vista. Fiquei contente por ter ido e saber que é a primeira de muitas reuniões, na qual a voz do povo conta. Fiquei contente por terem deixado o povo falar. A situação sanitária de Portugal é crítica, neste momento? Este é um problema do mundo e tem que ser o mundo a resolvê-lo. Há uma coisa que é a natureza e na natureza ninguém manda. Nunca vi nenhum político a processar a natureza, temos que ter respeito pela natureza. O homem é apenas uma espécie e pensa que manda nisto tudo, mas tem que se adaptar. Vitorino Silva, conhecido como Tino de Rans, 49 anos, foi calceteiro e presidente da Junta de Freguesia de Rans (a sua terra natal, no concelho de Penafiel) entre 1994 e 2002, eleito nas listas do PS. Há cinco anos foi candidato a Presidente da República, conseguiu 3,28% dos votos, e em 2019 fundou o partido RIR (Reagir, Incluir, Reciclar).

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